Informativo: Nina França


Clique na imagem para uma melhor visualização

Coluna da Lidi

Estância da Canção Gaúcha
por Lidiane Silveira


Aproveitando a deixa da publicação do Chico na Coluna Mano a Mano de terça-feira, também abarcarei o tema de um festival nativista que, infelizmente, perdeu muito de sua força nos últimos anos. Tanto que no ano corrente deixará seus seguidores só na expectativa. Falo do Festival "Estância da Canção Gaúcha", da minha cidade, São Gabriel. São Gabriel que, aliás, para os apreciadores do gênero, já foi muito melhor servida no quesito nativismo e cultura musical em geral. Contávamos não só com a Estância, mas alguns outros festivais durante o ano. Alguns seguem, com extrema força de vontade dos organizadores e outros, como a Estância, em 2009 ficaram na promessa.

Se bem o Festival não conta com todo o glamour da Califórnia, o que seria impossível devido aos anos e a história do evento de Uruguaiana, este já foi palco dos principais nomes da música do Rio Grande do Sul como Luís Carlos Borges, Pirisca Grecco, Miguel Marques, Leonel Gomes, Luis Marenco, João de Almeida Neto, Jairo 'Lambari' Fernandes, entre outros. Teve início em 1992, realizado no CTG Tarumã. Desde então, teve ininterruptas edições anuais, com exceção da 17ª que se realizaria este ano. Seu ápice, a meu ver, foi a 12ª edição, nominada "A Estância das Estâncias" de 2002, onde a concorrência ficou por conta de todas as campeãs dos anos anteriores, consagrando na voz de Miguel Marques a canção "Por onde anda a alma inquieta do poeta", homenagem ao compositor Edilberto Teixeira (com letras sempre presentes nos festivais gabrielenses).

Outra característica da Estância era a Fase Interna de São Gabriel e, no último ano, a "Estancinha" que deu espaço para crianças e adolescentes se apresentarem. Além disso, o palco do festival foi trampolim para nomes como Jean Kirchoff, Evandro Marques, César Oliveira, Rogério Melo, entre outros que viram nascer e consolidar suas carreiras no evento.

Contudo, apesar da idade adolescente, o festival já dava demonstrações de perda de fôlego, inclusive do público que era cada vez mais diminuto. Tenho as minhas deduções sobre o sucedido, mas já seria outro tema. O que lamento verdadeiramente, apesar de não ser tão afim do gênero, é que se deixe morrer o festival. Poderia ser reformulado, repensado, mas mantido. Com a não realização da Estância, São Gabriel perde muito no quesito "evento cultural" que já não é tão forte na cidade e que poderia ser muito melhor aproveitado.

1º Aí que eu me refiro


Clique na imagem para uma melhor visualização

Informativo: Cristiano Quevedo


Clique na imagem para uma melhor visualização

Coluna Mano a Mano

Ainda a Califórnia
por Chico Cougo [@chicocougo]

 (Foto: Jairo de Souza/Tribuna de Uruguaiana)


A repercussão da mídia foi muito pequena. Quase nenhuma, para ser sincero. Mesmo assim, ela está de volta. Com pouco glamour, bastante atingida em sua essência de pioneirismo e sem as polêmicas de antigamente. Foram quatro dias de Califórnia da Canção Nativa (36ª edição), o último deles, domingo, dia 6. À tarde, o resultado final foi divulgado. A Calhandra de Ouro - que já foi de O veterano e Esquilador - ficou com A sanga do Pedro Lira, composição de Marco Aurélio Vasconcelos e Demétrio Xavier, que também arrematou os troféus de Melhor Arranjo, Melhor Melodia, Melhor Letra e Melhor Música (na linha de Manifestação Rio-Grandense).

Tropeiro da meia-noite, de Paulinho Goulart, Tulio Urach e Fernando Saldanha, levou os prêmios de Melhor Conjunto Vocal, Canção Mais Popular e Melhor Música (linha Livre). Pirisca Grecco foi considerado o melhor intérprete; o gaiteiro Guilherme Goulart, o melhor instrumentista; na linha Campeira, De tempo e comparsa ficou com o prêmio maior.

Público presente? Não se falou em números, mas a quantidade de cadeiras vazias na foto - divulgada pelo jornal Tribuna de Uruguaiana (no click de Jairo de Souza) - não deixa muitas dúvidas. Houve um público cativo, mas pequeno. O tempo também não colaborou, tanto que a final do festival teve que ser adiada. O bonito palco montado acabou não sendo utilizado no último dia. Com uma hora e meia de atraso, e concorrendo com as finais do Campeonato Brasileiro de Futebol, a 36ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana chegou ao fim nas dependências da Sociedade Agrícola e Pastoril. Enquanto isso, o espetáculo Tholl formou uma fila quilométrica no ginásio local, rendendo a manchete: "Tholl leva público maior do que a Califórnia".

O festival aconteceu. Méritos da organização, que prometeu e cumpriu. Não é mais o mesmo. Vive uma decadência sem precedentes, com parco apoio da mídia e do público. Pecou em não usar mais dos recursos baratos de divulgação, especialmente a Internet (o site do evento se mostrou bastante pobre em informações). Parece ter perdido o fôlego, justamente no momento em que, mais uma vez, a música gaúcha clama por uma rediscussão de seus valores e dogmas. A Califórnia é o exemplo do que poderá acontecer com a música regional caso não haja um processo de reciclagem sério, embasado em pesquisa e no diálogo.

Ano que vem a Calhandra voltará a ser entregue no Cine Pampa, onde tudo começou, em 1971. Um retorno às origens, à modéstia e à humildade do evento. Que seja um retorno da Califórnia enquanto instituição cultural. Da música de qualidade também.

ATUALIZAÇÃO: A cantora Shana Müller deixou um comentário sobre a importância do resgate da Califórnia. Ela também conta alguns detalhes importantes do evento, principalmente para quem não estava em Uruguaiana e não pôde avaliar, de perto, o que aconteceu (como é o meu caso). Leiam-no!

Informativo: Nina França


Coluna da Lidi

"Por suerte tengo guitarra para llorar mi dolor"
por Lidiane Silveira


Quando ingressei na universidade, minha primeira professora de espanhol foi uma chilena que me 'alfabetizou', de certa forma, no idioma. No início era meio complicado entende-la, mas com o tempo fomos acertando os ponteiros e minha admiração e carinho por ela foram crescendo. Foi também através desta professora que indiretamente fui descobrindo algumas coisas sobre folclore latino-americano, através das músicas que levava para as aulas, e das vezes que se prendia a contar histórias de "Los Jaivas", "Gabriela Mistral", "Pablo Neruda" e, claro, "Violeta Parra". E é sobre essa notável figura do folclore chileno que gostaria de falar hoje.
                                                                                                       (Foto: Divulgação)


Violeta Parra nasceu em 1917, em San Carlos (Chile), autodidata, aos doze anos já compôs suas primeiras canções. Envolveu-se em outros gêneros artísticos como pintura, escultura, bordados, entre outros. Contudo, seu maior trunfo talvez se dê a partir da década de 52, quando começa a recorrer zonas rurais chilenas em busca do que de mais autêntico há na cultura de seu país, e que até então representava uma riqueza escondida aos olhos do mundo. Tal feito a levou a ser reconhecida e estimada na Europa, onde faz shows em Alemanha, Itália, França, Rússia.

Viajou também por vários países da América Latina, mas sem muita explicação, tem reconhecimento em seu país somente após a sua morte ocorrida em 1967. Tanto que em 1965, na companhia de seus filhos e alguns outros folcloristas chilenos, instala uma Peña Folklorica em Santiago com o intuito de convertê-la em um centro de folklore chileno, empreendimento que não chega a alcançar proporções desejadas e, junto ao fim de um intenso relacionamento amoroso, vem a soar como um dos motivos ao triste fim da vida da artista.

Entre os temas abordados em suas canções estão a vida simples do campesino, o amor à terra, à vida, e passagens de suas próprias experiências, como nas conhecidíssimas "Volver a los diecisiete", gravada por Milton Nascimento e Mercedes Sosa, e "Gracias a la vida", também gravada pela Negra e outros vários nomes, entre eles Elis Regina. Destacam-se ainda em seu repertório canções de cunho político, onde seus versos assumem caráter de denúncia a injustiças sociais. Como exemplo está a canção "La carta" ("Habrase visto insolencia, / barbarie y alevosía / de presentar el trabuco / y matar a sangre fría / a quien defensa no tiene / con las dos manos vacías, sí"), que anos mais tarde impulsionou a letra do cantor espanhol Joaquin Sabina para a música Violetas para Violeta ("Lo dijo Violeta Parra, / hermana de Nicanor, / por suerte tengo guitarra / y sin presumir de voz, / si me invitan a una farra / cuenten con mi corazón, sí"). Se alguém algum dia se dedicar a investigar o "dialogismo musical", tem aí um bom exemplo.

A discografia de Violeta conta com mais de trinta discos e suas artes plásticas estiveram em várias exposições no Chile, na Europa e na Argentina. Suas obras, hoje em dia, são de responsabilidade da "Fundação Violeta Parra", instituição criada pelos herdeiros da compositora com a finalidade de preservar e trazer viva a obra desta grande figura latino americana.

"Yo canto a la chillaneja si tango que decir algo,
y no tomo la guitarra, por conseguir un aplauso,
yo canto a la diferencia que hay de lo cierto a lo falso,
de lo contrario no canto"

Fica aí o convite a quem tiver a oportunidade de ouvir suas décimas, suas cuecas e entender um pouco de sua história e importância.

Até a próxima.
Fuerte abrazo!

1º Aí que eu me refiro


(Clique na imagem para uma melhor visualização)

Já estão à venda os ingressos para o “1º Aí que eu me refiro – o nativismo abraça as crianças”

(Satolep Press) O melhor do nativismo gaúcho estará reunido no palco do Teatro Guarany, dia 23 de dezembro, às 21h, para um grande show em prol de uma boa causa. O 1º Aí que eu me refiro – o nativismo abraça as crianças terá como atrações Aluísio Rockemback, César Oliveira e Rogério Melo, Cristiano Quevedo, Fabiano Bacchieri, Hélio Ramirez, Joca Martins, Luciano Maia, Luiz Marenco, Os Gaudérios e Volmir Martins e a renda revertida para Casa da Criança São Francisco de Paula, de Pelotas.
Os ingressos estão à venda a partir de hoje(03), no Posto Cidadão Capaz, em Pelotas, ao preço de R$ 15,00. O produtor Jarbas Mello, da Conexão V.P.I. informa que os lugares são marcados, por isso quem quiser garantir as primeiras filas deverá se adiantar. “Será um evento grandioso, com a nata da música gaúcha reunida, por isso já antecipamos a venda de ingressos”, avisa. A iniciativa foi lançada para imprensa em novembro, quando o músico Joca Martins e a presidente da entidade, Miriam Andréa, reuniram convidados para um almoço nas dependências da Casa da Criança São Francisco de Paula, em Pelotas.
Na ocasião, a presidente contou que a casa atende hoje 165 crianças de zero a seis anos que recebem diariamente cinco refeições e todo cuidado, incluindo orientação pedagógica, assistência social e psicológica, assistência médica e odontológica além de educação religiosa. Sobre o show beneficente, Miriam explicou que a doação será muito bem-vinda, já que os recursos que suprem manutenção da entidade são federais e contemplam só doze meses. “Por isso nessa época, nossa folha precisa ser complementada para o pagamento do décimo terceiro e das férias dos funcionários que trabalham na entidade”, salienta.
A idéia, segundo Joca Martins, é de anualmente reunir artistas que valorizam a música nativista e além de promover a integração dos músicos, ajudar a uma boa causa. “Queremos que Pelotas seja palco de um grande encontro de talentos e que ao mesmo tempo que estejamos celebrando a música que tanto valorizamos, possamos reverter a renda para essas crianças carentes”, destaca.
A entidade abriga crianças de classe média baixa, em especial famílias onde pais e mães trabalhem fora e que além disso possam estar em situação de risco social e pessoal. A casa mantém turmas de berçário e maternal, de zero a 3 anos  e 11 meses e pré-escolar, de 4 anos até 6 anos. Contam com o apoio de vários voluntários, desde as mordomas, até médico pediatra, dentista, nutricionistas, estagiárias de serviço social , pedagogia e pessoal encaminhado pela ONG Parceiros Voluntários, além de pessoas (associados) e empresas que gratuitamente prestam serviços de manutenção .
 

Serviço:

1º Aí que eu me refiro – o nativismo abraça as crianças
23 de dezembro de 2009
21h no Teatro Guarany, em Pelotas/RS

Ingressos marcados:
Posto Cidadão Capaz
Rua Félix Cunha, 553
Pelotas – RS – telefone: 53 3025-2891


Preço:
R$ 15,00

Informativo: Cristiano Quevedo


Clique na imagem para uma melhor visualização

Ecos de mi tierra #34

                                                                                                                                 (Divulgação/TV Pública)

Neste domingo tem Ecos de mi tierra, com a apresentação de Soledad Pastorutti. No programa, La Sole recebe a visita de Los Alonsitos, Melania Perez, Gustavo Patiño, Escuela de Danza e Bumbo Libertador.

Ecos começa às 13hs (14hs pelo Horário Brasileiro de Verão) e pode ser assistido pelo site da TV Pública da Argentina.

Coluna Mano a Mano

A Califórnia voltou
por Chico Cougo

(Foto: Centro de Tradições Gaúchas de Niterói)

O maior festival de música nativista do Rio Grande do Sul está de volta. Depois de inúmeras crises, dívidas e decepções, a 36ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana está prestes a se tornar realidade. De acordo com a organização do evento, o festival está previsto para os dias 3, 4, 5 e 6 de dezembro, no Parque Agrícola e Pastoril de Uruguaiana, onde é esperado um grande público.

Dividindo opiniões há mais de trinta anos, a Califórnia da Canção nasceu em 1971, depois que o músico Colmar Duarte não conseguiu classificar sua canção Abichornado em outro festival, decidindo, então, organizar um certame aberto exclusivamente à canção regional. Em pouco tempo, o Cine Pampa de Uruguaiana e, mais tarde, a Cidade de Lona, transformaram-se no palco do mais esperado evento musical do Rio Grande do Sul. As canções vencedoras da Calhandra de Ouro nos anos 1970 transformaram-se em sucesso, seus compositores e intérpretes foram elevados à condição de astros e, em 1987, o evento chegou a ser transmitido pela TV, para todo o país.

Forte, a Califórnia passou a ser, também, o palco de uma ambiciosa renovação musical do Rio Grande do Sul. Contra os "astros oficiais" da época (como afirmava o músico Luiz Coronel, em 73), o festival de Uruguaiana consolidou o movimento nativista, uma nova vertente musical, mais sofisticada e oposta àquela sobre a qual pairava o estigma da "grossura" (especificamente o cancioneiro de Teixeirinha, Gildo de Freitas, José Mendes e outros conhecidos nomes do gauchismo).

É claro que a Califórnia não conseguiu enfraquecer a popularidade dos "grossos" ou "tradicionalistas". No entanto, ela conquistou seu lugar, e foi declarada Patrimônio Cultural do Estado em 2004. O problema é que, à estas alturas, a criatura já vitimizara seus criadores. Polêmico desde o início, o certame onde foram revelados nomes como Leopoldo Rassier e Vitor Ramil, começou a se desgastar no final dos anos 1980, com a disputa por quem daria as tintas para os novos rumos da música gaúcha. Cada vez mais "sofisticada" em sua proposta estética e preenchida por um cancioneiro de difícil assimilação (como grande parte do nativismo é, ainda hoje), a Califórnia foi naturalmente perdendo público. Em 2002, o evento já era um arremedo do que fora. A partir de 2006, a falta de verbas e investimentos levou a festa da Cidade de Lona às ruínas.

Agora, uma nova etapa. Mais modesta, a Califórnia eliminou as tradicionais pré-califórnias (etapas classificatórias) e promete um espetáculo mais humilde e de qualidade. Foram centenas de canções inscritas e 25 classificadas para a fase final. O evento conta com o apoio da prefeitura de Uruguaiana, CTG Sinuelo do Pago e duas empresas privadas. A missão de recuperar a importância de outrora é árdua. Mais ainda é a de repensar os rumos da música nativista (de todo o gênero gauchesco, na realidade), cada vez mais fechado em torno de si e dono de popularidade praticamente irrisória. Tomara que o reerguimento do festival sirva para estas reflexões.

Leia também:
Coluna da Lidi 

Prêmio Teixeirinha



 (Foto: ClicRBS)


Terça-feira, dia 1º de dezembro, ocorre a entrega do Prêmio Vitor Mateus Teixeira (Teixeirinha), no Teatro Dante Barone, da Assembléia Legislativa (Praça Marechal Deodoro, Porto Alegre). O evento é aberto ao público e começa às 19h30. Para acessar a lista de premiados, visite o site da Fundação Teixeirinha.

Coluna da Lidi

"Árbol sin raíces no aguanta parado ningún temporal"
por Lidiane Silveira

Não faz muito tempo que enveredei por ouvir a música folclórica latino-americana. Diria que faz muito pouco tempo comparado ao que esta arte tem a me presentear. E uma das coisas mais bacanas nesse meio tempo é ter contato com pessoas que conhecem muito do assunto e me ajudam apresentando ritmos, cantores e canções de Folklore.

E foi mais ou menos assim, por indicação do amigo Diego Farias, que conheci a dupla uruguaia Larbanois & Carrero, que, apesar da proximidade geográfica entre os riograndenses e os orientais e das atuações do duo em algumas cidades do RS, carecem ainda de reconhecimento por parte da 'gauchada'.




A dupla tem início em 1977, composta por Eduardo Larbanois, natural de Tacuarembó, e Mario Carrero, natural de Florida. Anteriormente, ambos desenvolviam trabalhos relacionados à música, participando de festivais no Uruguai. Na mesma década, fundam o projeto Canto Popular, que teve grande participação na luta pela recuperação da democracia uruguaia.

Em mais de 30 anos de trabalho ininterrupto, Larbanois & Carrero contam com 24 trabalhos discográficos e um DVD comemorativo às três décadas de carreira. Seus shows já foram cartaz em países como Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Espanha, Paraguai e em várias províncias argentinas, com destaque para as apresentações no Luna Park, La Trastienda e Gran Rex na capital portenha. Também andaram por terras tupiniquins, com participações em festivais de Bagé, Alegrete, Santa Maria, shows em Porto Alegre, Rio Grande, Gramado e Canela, além de contar, na década de 80, com uma participação no programa Fantástico da Rede Globo.

Outra relação com os brasileiros está na parceria que fizeram com alguns nomes da MPB, como na apresentação junto a Chico Buarque, em Pelotas, e no cd "El Dorado" com Belchior.

Alguns de seus CDs foram editados também no Brasil. Contudo, não saberia informar-lhes da possibilidade de se encontrar esse material nas lojas brasileiras do ramo discográfico. A quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre Larbanois & Carrero, indico a visita ao site da dupla: http://www.larbanois-carrero.com.uy/ , onde você encontra, além de muita informação, fotos e multimídia, um design super bonito acompanhado de algumas músicas da dupla.

Vale a pena.

"Y aunque es malo mantenerse aislado
cuando todo el mundo está tan conectado
si el diablo hay que tener cuidado
la cultura nunca puede estar de lado
no todo está en venta, no todo es mercado
árbol sin raices no aguanta parado
ningún temporal"


Fuerte abrazo!
Até a próxima.

Informativo: Cristiano Quevedo



Clique na imagem para uma melhor visualização

Leia também:

Grandes Discos


por Chico Cougo

Periodicamente, o América Macanuda vai trazer a seus leitores a seção "Grandes Discos", sempre com comentários sobre renomadas produções da indústria fonográfica sul-americana do passado e do presente. Para esta primeira edição, escolhi um álbum que completa dez anos de existência em 2010. "Marcelo Álvarez sings Gardel" (Sony Classical, 2000), é o disco ideal para os apaixonados por tango e admiradores de Carlos Gardel (1890-1935).

Este CD é o segundo na carreira do tenor argentino Marcelo Álvarez (Córdoba, 1962). Acostumado a cantar nos grandes palcos operísticos da Europa, Álvarez parece ter sido despertado pelo sentimento argentino de reverência a Gardel e conduzido a homenagear o ídolo. Depois de seu primeiro álbum ("Bel Canto", 1998), o cantor realizou aquela que, provavelmente, é a aventura mais ousada de sua carreira: resgatar o sempre perene repertório gardeliano a partir do estilo erudito.

O resultado não poderia ser mais fascinante. Sob a direção de Jorge Calandrelli e acompanhado por grande orquestra, Marcelo Álvarez presenteia seu público com treze temas que marcaram a carreira do "morocho del Abasto". A começar por Tomo y obligo, tango de 1931 que tem toda sua dramaticidade resgatada, especialmente pela desenvolta ação dos violinistas convidados (Miguel Angel Bertero e Fernando Suarez-Paz).

A seqüência é completada pelo consagrado cancioneiro da dupla Gardel/Le Pera. Em Soledad (1934), Álvarez consegue mergulhar em detalhes de originalidade, sem dispensar inovações de bom-gosto, como o famoso "repique" nas cordas cegas do violino, movimento que marcou a produção musical de outro mito tangueiro - Astor Piazzolla. Já com El día que me quieras (1935), o tenor cumpre a proeza de remontar, com toques modernos, aquele que é um dos maiores clássicos gardelianos (embora a supressão dos versos declamados, presente em quase todas as regravações, mas ausente neste disco, tenha feito falta). Por una cabeza (1935), a grande metáfora turfística da história do tango, é outro clássico que não fica de fora do álbum de Álvarez e dos arranjos de sua orquestra acompanhante. Por sua vez, Volver (1935), que se transformou em algo como um hino-ode a Gardel logo após o falecimento do cantor, também recebeu atenção especial na gravação, desta vez com um toque mais intimista.

Numa espécie de "segunda parte" do disco, ocorre o resgate de algumas peças mais antigas e também daquelas que são mencionadas com menor intensidade pelos fãs de Gardel. Do repertório mais recuado no tempo, Mano a mano (1923) me parece uma ótima escolha de Álvarez. Na gravação, expressões típicas do lunfardo portenho foram suprimidas (até porque o disco foi destinado ao mercado europeu), fato que pode ter desagradado alguns preciosistas, tanto quanto a incursão (ainda que tímida) de uma guitarra elétrica nos primeiros acordes da introdução. Cuesta abajo, mais uma canção "made in USA" por Gardel/Le Pera, também recebeu modificações singulares, à ponto de ter seu arranjo praticamente todo alterado. Nem por isso perdeu sua força e qualidade.

Golondrinas (1934), Melodía del arrabal (1932) e Caminito (1926) me parecem as gravações mais "normais" de "Marcelo Álvarez sings Gardel". Afora o vozeirão do tenor, que é o grande  e esperado destaque da obra em geral, nada demais. E isso porque, talvez, o ponto alto da produção tenha sido reservado para o final.

A propósito, as três faixas que encerram o disco são difíceis de descrever. Volvio una noche (1935), o último tango de Gardel, é reconhecida por sua difícil interpretação, mas foi resgatada em toda sua força. O arranjo deste tango foi montado de forma gradativa. Nos versos finais, a voz do tenor e o instrumental se unem num tom apoteótico, de acordo com a carga dramática da letra. Em La cumparsita (Si supieras), o tango mais conhecido do mundo, quem rouba a cena é o bandoneonista Nestor Marconi, com quase trinta segundos de solo instrumental. Por fim, Mi Buenos Aires querido surpreende o ouvinte com o duo Gardel-Álvarez. Isso mesmo! Através de recursos de edição digital, a voz do maior astro que a Argentina já conheceu se une a de seu discípulo, numa interpretação absolutamente indescritível.

"Marcelo Álvarez sings Gardel" é um daqueles álbuns raros que consegue ser original mesmo partindo de um material repisado inúmeras vezes e por artistas diversos. Em tempos em que é cada vez mais difícil encontrarmos releituras de qualidade, este grande disco merece atenção do público tangueiro pelo resgate que faz de seu maior e jamais esquecido ídolo.